Mas,
como no sistema penal brasileiro crimes semelhantes não acumulam penas, a
expectativa da Procuradoria é que o empresário seja condenado a "menos
de 100 anos de prisão".
"Se formos somar as penas de
todos os crimes em série, por incrível que pareça as penas somariam de 2
mil anos de prisão", disse o procurador em entrevista à rádio Bandnews
FM. "Mas quando aplicamos a regra de crimes continuados, porque a pessoa
cometeu uma séria de crimes em sequência, a pena vai para muito menos
que isso. A expectativa é que uma pena inferior a 100 anos de prisão.
Estamos fazendo nossas alegações finais e avaliando isso", afirmou.
Marcelo Odebrecht está preso preventivamente desde junho do ano
passado, acusado de pagamento de R$ 137 milhões em propinas e de
atrapalhar as investigações da Lava-Jato.
Na
entrevista, o procurador rebateu as críticas feitas pela defesa de
Odebrecht, de que teria havido inconsistência entre o que foi
efetivamente dito pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa no
depoimento em que citou o empresário, e o que consta no termo escrito de
suas declarações.
Segundo Dallagnol, o depoimento ao
qual a defesa de Odebrecht se refere foi colhido por um procurador que
atua junto à Procuradoria-Geral da República, que investiga casos
relacionados a réus que possuem prerrogativas de foro (foro
privilegiado), no início do processo, quando Odebrecht ainda não era
investigado.
"O tema da depoimento registra aquilo que é
de interesse para a investigação, no sentido do que pode gerar de prova
no processo de investigação penal. Não registramos as informações sobre
as centenas de pessoas que não praticaram crime. O depoimento foi
colhido quando Marcelo não era investigado. Não tínhamos nenhuma prova
contra ele", disse.
O empresário só foi considerado
suspeito em um momento posterior da investigação, com o aparecimento de
novas provas, informou o procurador. Além disso, afirmou, os vídeos
ficaram disponíveis para consulta após o recebimento da denúncia e, num
momento posterior da investigação.
A defesa também teve,
afirmou ele, a oportunidade de questionar Paulo Roberto Costa durante
seu depoimento à Justiça e não o fez "Os vídeos podiam ser consultados
e, no final, a defesa de forma surpreendente diz que não consultou",
disse.
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"As provas que valem contra alguém são as provas na Justiça, não são
aquelas colhidas lá trás pela polícia ou pela Procuradoria, mas as
provas da Justiça. Paulo Roberto foi ouvido na Justiça e todos os
advogados, inclusive os de Marcelo Odebrecht, tiveram oportunidade de
fazer perguntas a ele e não fizeram", reforçou.
Lula
Deltan Dallagnol também rebateu a declaração do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, feita na quarta-feira (20). Em entrevista a
blogueiros simpáticos ao PT, Lula afirmou haver direcionamento nas
delações para que houvesse citação em seu nome. "Delação premiada tem
que ter o nome de Lula, senão não adianta", afirmou o ex-presidente na
ocasião.
"Não direcionamos delação", disse o procurador.
Segundo ele, no próprio acordo de delação consta o termo de que se o
delator mentir pode perder todos os direitos e ainda ser processado.
"Além disso, ninguém é acusado apenas pela palavra do delator, e sim
por provas independentes da colaboração que apontam as responsabilidades
daquela pessoa sobre os crimes", explicou.
De acordo
com Dallagnol, uma pessoa só se torna investigada quando há provas
concretas sobre ela. Questionado sobre como o ex-presidente é
considerado pelos investigadores da Lava-Jato, o procurador disse que
"as investigações são dinâmicas, mas até agora Lula não se tornou alvo
de nossa operação."